Arquivo mensal: dezembro 2015

DISCURSO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

DISCURSO EM DEFESA DA DEMOCRACIA
ATO ORGANIZADO PELO DEP. CÉSAR VALDUGA – PCdoB
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTA DE SANTA CATARINA
3/12/2015
Clair Castilhos Coelho

Exmos/as Senhores/as Deputados/as, companheiros/as homenageados/as, senhores e senhoras,

É com grande alegria que dirijo estas palavras a vocês. Há um significado especial nesse ato em que a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina por iniciativa do Deputado César Valduga nos honra com essa homenagem. E o faz na forma de uma sessão especial denominada em DEFESA DA DEMOCRACIA.

Nada mais oportuno se considerarmos o momento político que nosso país atravessa.

Há 51 anos ocorreu o golpe militar de 1º de Abril de 1964. Não foi o único golpe e nem a única ditadura pelas quais o nosso país foi violentado. Mas, esse foi o golpe que coube à nossa geração sofrer.

Uma brutal articulação civil-militar que vitimou as lideranças democráticas, as ideias libertárias, as expectativas de avanços políticos, econômicos e, acima de tudo, assassinou um projeto de nação. Para abafar esses desejos e esses valores essenciais foram utilizados os meios mais truculentos, todas as formas de violação dos direitos humanos, o cerceamento das liberdades individuais, censura às artes, à imprensa e à cultura. Foi executado, com rara perversidade, um projeto imperialista de entrega de nossas riquezas, de nosso patrimônio natural, de nosso conhecimento científico e de nossa soberania.

Mas, em todo o processo social, em todo o conflito político é impossível fugir das contradições, da resistência, da luta e dos enfrentamentos. E este foi o nosso papel ao longo de quase 33 anos. Tempo este que custou muito sofrimento, tortura, humilhações, desaparecimentos, sangue e morte. Mas, que também foi riquíssimo em debates de ideias, discussões ideológicas, formulações de estratégias e táticas, de desmoralização dos opressores e acima de tudo, muita militância e coragem. Nesse tempo foi gestada a mais bela, sensível e criativa trilha sonora de uma geração. As mais inovadoras criações teatrais. Fluíam das palavras e das notas musicais, a resistência, a sensibilidade, a fina ironia e os brados de guerra. Ah! Quanto ódio e impotência contra nós. E é aí que nos inserimos.

Nós, Tínhamos 30 anos a menos, mas também a força, a coragem e o ímpeto que só é nutrido pelas grandes causas e pelos grandes ideais.

Resistimos, lutamos, defendemos nossa terra. Homens e mulheres que entregavam a vida, os sonhos e construíam a utopia.

Passou o tempo. O país foi sacudido pela Campanha das Diretas-Já, pela convocação da Assembleia Nacional Constituinte, pelo ressurgimento da presença da classe trabalhadora no cenário nacional, pelo movimento feminista, pelas lutas ecológicas, pelas eleições, pela Novembrada.

Enfim, renasceu o Brasil.

Mas, a burguesia, os vampiros saudosos da ditadura militar, os espectros da Casa Grande-Senzala, quais virulentas bactérias letais tentam ressurgir a cada momento. E hoje, mais do que nunca parecem revitalizadas em um cenário contemporâneo protagonizado pela globalização neoliberal, pela ditadura do capital, pelo fetiche do mercado, pela alienação. Na América Latina, e no Brasil, ocorrem tentativas de golpes ditos institucionais quando líderes de esquerda ou de centro-esquerda chegam aos governos. Foi assim na Venezuela, no Haití (2004), Bolivia (2008), Honduras (2009), Equador (2010), Paraguai (2012) e em marcha no Brasil (2015).

Estas tentativas são produzidas mediante uma ação conjunta entre a “midia” hegemônica, as corporações transnacionais, os poderes judiciário e legislativo e os partidos de oposição. Usam também processos de desestabilização psicológica e judicial, levantam a “sociedade civil” através das redes sociais. Mas, buscam isso, principalmente, devorando e destruindo a governabilidade.

Este é o quadro atual. Por isso a importancia desse ato aquí na ALESC pois além das homenagens também serve para relembrar a História e reunir cidadãos e cidadãs em defesa da democracia.

Serve para lembrar a todos que não éramos apenas jovens idealistas lutando contra a ditadura mas que também tínhamos a estatura dos Comunistas do poema de Pablo Neruda, aqueles que:

“(…) colocam a alma na pedra,
no ferro, na dura disciplina,homenagem mão
ali vivemos só por amor
e já se sabe que nos dessangramos
quando a estrela foi tergiversada
pela lua sombria do eclipse.
Agora vereis que somos e pensamos.
Agora vereis que somos e seremos.
Somos a prata pura da terra,
o verdadeiro mineral do homem,
a fortificação da esperança;
um minuto de sombra não nos cega:
com nenhuma agonia morreremos.”

Aliás, lembro com emoção e profundo respeito de Arno Lippel, Cirineu Cardoso, Roberto Mota, Adolfo Dias, Sérgio Giovanella, Marcos Cardoso Filho, Aléssio Verzola, “seu”Dibo, e, a grande e maravilhos militante que foi Eurídice Monteiro Sagaz.

Termino e aviso citando La Pasionária, heroína da Guerra Civil Española: “No pasarán!”

Quero neste momento dizer que dedico esta minha homenagem ao meu amado companheiro Alcides Rabelo Coelho, sem o qual esta trajetória teria sido muito mais difícil e penosa.

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