Arquivo mensal: abril 2016

Sobre o Golpe!!

 

Queridas/os companheiras/os, camaradas e amigas/os,

Ontem, dia 17/4/2016 assistimos a um evento macabro e brutal que imaginava não iria mais acontecer no Brasil. Ao ver aqueles homens e mulheres transformados/as em uma horda histérica, transtornados em surtos de violência e degradação pessoal encenando uma verdadeira sessão de um tribunal de inquisição, onde queimavam a presidenta da república tive uma incrível sensação de ter voltado aos anos da ditadura militar. Mas, era uma fogueira onde aquelas criaturas odiosas exorcizavam o ódio, a misoginia, os preconceitos e a truculência de um fazer político atrasado e primitivo. Confesso que senti dor e muita pena de minha pátria/mátria amada tão gentil!

A maior tristeza no entanto, foi ver aquelas mulheres deputadas que de forma patética declaravam seus votos contra a primeira mulher presidenta e que elas condenavam sem que esta tivesse cometido nenhum crime. O mais dramático ainda, era a expressão delas, após o voto pedindo, com os olhares alienados, uma espécie de aprovação para aqueles homens hostis e ridículos postados à margem do local de votação. Eram as “mulherzinhas” prestando contas de sua submissão e perversidade.

Ontem, foi demonstrado com sucesso o resultado, de um plano de ultraje à democracia brasileira e à dominação de nossa economia (ou o que ainda resta de nossas riquezas) planejado e executado meticulosamente pelo capital rentista internacional, pela burguesia local, pelos seus representantes no judiciário, executivo e legislativo, pela grande mídia a serviço da alienação e embrutecimento do povo. No início fiquei arrasada, revoltada, triste e sem enxergar alternativas. Mas, o ódio e a raiva não são boas companhias quando necessitamos raciocinar e entender o que acontece com lucidez estratégica. Certamente a luta continua!! Derrubamos uma ditadura sanguinária, enfrentamos anos de recessão, entreguismo e violência, passamos por uma liquidação intensa do patrimônio nacional durante a “privataria tucana”, suportamos humilhações, tristeza, tortura, morte e desesperança, mas continuamos. E já que os tempos nos remetem a essas situações passadas, que imaginei superadas, lembrei-me de um poema muito falado nos tempos sombrios que já vivemos e que dedico aos deputados e deputadas que resistiram naquela arena e a todas/os nós que aqui estamos presentes:

 

Tarefa
Geir Campos

Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis…
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.