Arquivo mensal: setembro 2013

Pela saúde e pela vida das mulheres – 28 de Setembro – Dia Internacional de Luta pela Descriminalizacão do Aborto

28 de Setembro é marcado em quase todo mundo como o Dia internacional pela despenalização do aborto.
No Brasil, a decisão de interromper a gestação ainda constitui um risco à vida e à saúde das mulheres, em razão da proibição da prática, da falta de acesso ao medicamento mais seguro e das ameaças que pairam sobre todas as mulheres.
Embora o movimento de mulheres e parcelas da sociedade brasileira lute pela descriminalização
e a legalização do aborto há muitas décadas, a decisão recai sobre a justiça, o congresso e o governo, todos sob pressão dos conservadores.
O Ministério da Saúde estima que ocorram, por ano, pelo menos um milhão de abortos sendo a quinta causa de mortalidade materna no país. O aborto e suas sequelas causam forte impacto no Siste¬ma Único de Saúde (SUS). Somente entre janeiro e novembro de 2012 foram feitas 173.960 curetagens no SUS, procedimento realizado após aborto espontâneo ou provocado, sendo o terceiro procedimento obstétrico mais praticado no país. Entre 2007 e 2012, 936.291 mulheres foram internadas no SUS por complicações em abortos.
Uma das propostas de dar à mulher a opção de interromper a gravidez até a 12° semana, prevista na reforma do Código Penal em curso, e apoiada pelo Conselho Federal de Medicina, encontra barrei¬ras no Senado. Parlamentares ligados a igrejas insistem com o projeto do Estatuto do Nascituro, um re¬trocesso absoluto, inclusive em relação aos três permissivos existentes — estupro, risco de vida da gestante e fetos anencefálicos.
Até mesmo a Lei N° 12.845, sobre Violência Sexual, aprovada em agosto de 2013 e sancio¬nada pela Presidenta da República, foi alvo de ataques.
Conservadores prometem resistência nos serviços de saúde, alegando contrariedade à contracepção de emergência e à interrupção legal da gestação fruto de estupro. Revelam a incapacidade de solidarizar-se com as mulheres até mesmo quando são cruelmente violadas.
É negado às mulheres o direito de decidir sobre o próprio corpo, direito exclusiva¬mente delas. As decisões sobre o corpo das mulheres mantêm-se, assim, como moeda de troca em negociações políticas e alvo de permanente ameaça. Esse quadro colo¬ca o Brasil entre os países mais atrasados quanto aos direitos reprodutivos.
Uma vez mais é necessário afirmar: o aborto continua sendo um grave pro¬blema de injustiça social, pois mulheres sem recursos se arriscam com métodos perigosos; é um problema de saúde pública devido à magnitude do dano; um problema assistencial, pois sobrecarrega o SUS; uma grave violação dos direi¬tos humanos quando seus direitos sexuais e direitos reprodutivos são desres¬peitados; é a cidadania roubada quando as concepções religiosas interferem nas decisões individuais e do Estado, que deve ser laico.
Por estas razões a descriminalização e a legalização do aborto são, para nós, da Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, prioridade absoluta entre as inúmeras demandas em favor da saúde das mulheres. É, para nós, uma questão de direitos humanos.

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