Arquivo mensal: março 2018

Sobre o assassinato de Marielle Franco

 

A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos vem a público manifestar o mais completo horror e profunda indignação pelo bárbaro assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Apresenta também seus sentimentos de pesar e solidariedade aos familiares e amigos de Marielle e Anderson.

Marielle, a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2016 pelo PSOL, 38 anos, era socióloga, ativista no movimento negro, feminista e também atuava na comunidade da Maré, onde morava.

Essa ocorrência macabra só vem confirmar a total degradação de nosso país, notadamente após o Golpe de 2016.

Nós mulheres da Rede Feminista de Saúde exigimos o completo esclarecimento desse crime hediondo assim como punição exemplar para os criminosos. Exigir tudo isso é uma das formas de manifestar nosso total inconformismo com a violência absurda como a que sofreu a vereadora e seu motorista. Mas, é preciso ampliar e refletir sobre esses crimes. Marielle não foi a única vítima. Ela apenas aumenta o imenso número de lideranças populares, mulheres, mulheres vivendo com HIV, negros/as, jovens, camponeses, indígenas, quilombolas, LGBTs, sem-terra, sem teto e tantos outros que alimentam a sanha assassina de uma burguesia e uma elite que exige sangue para continuar destruindo nosso país e seu povo. Mas, Marielle e cada uma de nossas heroicas lideranças assassinadas não morrerão no coração do povo, continuarão inspirando nossa luta contra o atraso, a prepotência, o ódio, a barbárie. O golpe misógino com o claro objetivo de retrocesso econômico, social e político tenta nos empurrar para o obscurantismo e a subserviência internacional. Mas não permitiremos! O sangue de nossa companheira não nos deixará sucumbir ao desânimo, à tristeza e ao desespero. A grande Rosa Luxemburgo apontou que o limite das contradições inerentes ao sistema capitalista deixava uma alternativa “socialismo ou barbárie”! Vamos continuar lutando pelo socialismo. Não cairemos na barbárie!

Não nos calarão!

Não nos intimidarão!

Marielle vive!

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“8 DE MARÇO”

 

“8 DE MARÇO”, Juntas por nenhum direito a menos

Para nós mulheres não é novidade viver e resistir. Foi assim, em toda a história da humanidade. Desde a Antiguidade, Idade Média, na Revolução Francesa, Comuna de Paris, Invasão e colonização das Américas, nas diversas ditaduras que sofremos. Agora, no 3º milênio, esta situação de opressão, exploração, discriminação e violência adquire outros contornos. O mundo vive uma conjuntura de recrudescimento do conservadorismo e do fundamentalismo, do aumento da violência de classe protagonizada pela burguesia neoliberal e o capital rentista.

No Brasil esta situação é agravada pela existência de um golpe institucional coordenado e executado pela mídia, judiciário, executivo e legislativo. E, sob a orientação do capital internacional com o claro objetivo de impor uma reforma trabalhista, uma reforma da previdência levando ao extremo a exploração do trabalho. Foi o que vimos retratado de forma brilhante na Escola de Samba Paraiso do Tuiuti, mostrando a escravidão não como uma página virada da história, mas como situação atual do povo brasileiro. Assim, o que sobrou dos direitos garantidos pela constituição, vão sendo retirados gradativamente.

Esse é o quadro de forma sucinta e breve. Mas, nós mulheres mais uma vez nos insurgimos. Na contramão desse retrocesso absurdo somos uma das vozes lúcidas, rebeldes e corajosas. Desde 1995, na 4ª Conferência Mundial da Mulher temos avisado ao mundo patriarcal e misógino que o “Terceiro Milênio no Pertence”, pois essa foi a palavra de ordem que emanava da tenda da América Latina naquele momento.

É animador e estimulante observar o surgimento e a consolidação de uma grande diversidade nos feminismos. Jovens mulheres afirmando a sua presença no mundo, reagindo à violência, ao racismo, à discriminação, à exclusão, ao feminicídio e à misoginia. Mulheres que usam as novas tecnologias, como sites de vídeos e redes sociais, para gritar ao mundo que o “nosso corpo nos pertence” e que “Não é Não”. Mulheres que denunciam a sanha cruel dos grupos religiosos e das Igrejas mercenárias e hipócritas que ousam legislar sobre nossos corpos.

Nesse “8 de março” nós como Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos reforçamos nossos princípios e nossa disposição de enfrentar essa estrutura nociva e letal e unir com todas as mulheres, em nossas diversidades e nossas diferenças, em um único grito por nossos direitos.

Lutamos pela legalização do aborto; pelas melhores condições de saúde, pela segurança no pré-natal, parto e puerpério com a consequente diminuição da morte materna; pela educação sexual e enfrentamento das doenças sexualmente transmissíveis; pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, – PNAISM nos marcos do Sistema Único de Saúde – SUS; contra o assédio moral e sexual; contra todas as mazelas e agressões perpetradas por essa sociedade misógina e iníqua, contra as desigualdades nas condições de trabalho; pelo direito a creches e moradias.

Como sempre, este é um “8 de março” que mostrará, mais uma vez, que nós mulheres estamos atentas, mobilizadas e unidas para as árduas tarefas de construir um mundo mais justo, humano e igualitário.

Convidamos assim, todas as mulheres, trabalhadoras ou desempregadas, que não tem creches ou moradias dignas, as que sofrem com o racismo, a lgbtfobia, com violências diversas, se juntem a nós para fazermos do 8 de marco de 2018 um grito de libertação.