“8 DE MARÇO”

 

“8 DE MARÇO”, Juntas por nenhum direito a menos

Para nós mulheres não é novidade viver e resistir. Foi assim, em toda a história da humanidade. Desde a Antiguidade, Idade Média, na Revolução Francesa, Comuna de Paris, Invasão e colonização das Américas, nas diversas ditaduras que sofremos. Agora, no 3º milênio, esta situação de opressão, exploração, discriminação e violência adquire outros contornos. O mundo vive uma conjuntura de recrudescimento do conservadorismo e do fundamentalismo, do aumento da violência de classe protagonizada pela burguesia neoliberal e o capital rentista.

No Brasil esta situação é agravada pela existência de um golpe institucional coordenado e executado pela mídia, judiciário, executivo e legislativo. E, sob a orientação do capital internacional com o claro objetivo de impor uma reforma trabalhista, uma reforma da previdência levando ao extremo a exploração do trabalho. Foi o que vimos retratado de forma brilhante na Escola de Samba Paraiso do Tuiuti, mostrando a escravidão não como uma página virada da história, mas como situação atual do povo brasileiro. Assim, o que sobrou dos direitos garantidos pela constituição, vão sendo retirados gradativamente.

Esse é o quadro de forma sucinta e breve. Mas, nós mulheres mais uma vez nos insurgimos. Na contramão desse retrocesso absurdo somos uma das vozes lúcidas, rebeldes e corajosas. Desde 1995, na 4ª Conferência Mundial da Mulher temos avisado ao mundo patriarcal e misógino que o “Terceiro Milênio no Pertence”, pois essa foi a palavra de ordem que emanava da tenda da América Latina naquele momento.

É animador e estimulante observar o surgimento e a consolidação de uma grande diversidade nos feminismos. Jovens mulheres afirmando a sua presença no mundo, reagindo à violência, ao racismo, à discriminação, à exclusão, ao feminicídio e à misoginia. Mulheres que usam as novas tecnologias, como sites de vídeos e redes sociais, para gritar ao mundo que o “nosso corpo nos pertence” e que “Não é Não”. Mulheres que denunciam a sanha cruel dos grupos religiosos e das Igrejas mercenárias e hipócritas que ousam legislar sobre nossos corpos.

Nesse “8 de março” nós como Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos reforçamos nossos princípios e nossa disposição de enfrentar essa estrutura nociva e letal e unir com todas as mulheres, em nossas diversidades e nossas diferenças, em um único grito por nossos direitos.

Lutamos pela legalização do aborto; pelas melhores condições de saúde, pela segurança no pré-natal, parto e puerpério com a consequente diminuição da morte materna; pela educação sexual e enfrentamento das doenças sexualmente transmissíveis; pela Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, – PNAISM nos marcos do Sistema Único de Saúde – SUS; contra o assédio moral e sexual; contra todas as mazelas e agressões perpetradas por essa sociedade misógina e iníqua, contra as desigualdades nas condições de trabalho; pelo direito a creches e moradias.

Como sempre, este é um “8 de março” que mostrará, mais uma vez, que nós mulheres estamos atentas, mobilizadas e unidas para as árduas tarefas de construir um mundo mais justo, humano e igualitário.

Convidamos assim, todas as mulheres, trabalhadoras ou desempregadas, que não tem creches ou moradias dignas, as que sofrem com o racismo, a lgbtfobia, com violências diversas, se juntem a nós para fazermos do 8 de marco de 2018 um grito de libertação.

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Publicado em 2 de março de 2018, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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